NO HC, TORÇÃO NO TESTÍCULO LEVA TRÊS HOMENS POR SEMANA À CIRURGIA

Problema deve ser tratado em até seis horas após ocorrido, para que não haja danos irreparáveis

Todas as semanas pelo menos três adolescentes chegam à emergência do Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, com o testículo torcido e necessitando de cirurgia. O motivo principal das torções? “Sonhos eróticos”, explica o urologista José Cury, chefe do ambulatório de sexualidade do HC. De acordo com o especialista, o problema é mais comum do que se imagina e, além de dolorido, pode levar ao infarto de um dos testículos, afetando a produção de espermatozóides e até impedindo o homem de se reproduzir.

Na puberdade, o jovem produz mais testosterona e tem mais desejos sexuais. Nesta etapa da vida, alguns sonhos que tinham tudo para serem prazerosos podem se transformar em pesadelos. “As ereções noturnas podem fazer com que um músculo chamado "Cremastérico" - localizado ao lado do cordão inguinal - seja tracionado em direção à barriga, gerando torções que variam em três estágios: 180º, 360º e até 720º”, informa Cury, explicando que, quando isso ocorre, o adolescente acorda com náuseas e fortes dores na região.

Ao sentir os sintomas, é fundamental que o garoto não fique inibido e procure ajuda médica imediata, pois ali começa uma verdadeira corrida contra o tempo. “O prazo máximo para a intervenção cirúrgica é de seis horas. Após esse período, a chance de salvar o testículo torna-se pequena”, relata o médico. Segundo ele, muitos jovens sentem vergonha em explicitar essa dor e acabam tentando resolver com o simples uso de analgésicos, tornando-se estéreis.

Para que isso não ocorra, é essencial que haja diálogo entre pais e filhos. “O adolescente que é levado imediatamente ao pronto-socorro consegue reverter o quadro”, orienta Cury. Por isso, os pais devem ficar atentos quando o filho se queixa de dores na região ou de náuseas.

Além dos sonhos eróticos, a torção também pode ocorrer após a prática de atividades físicas desgastantes ou no momento da masturbação. “Durante a torção, o fluxo sanguíneo é interrompido, provocando um acúmulo de sangue no testículo”, informa o especialista.

No hospital, o paciente com suspeita de torção é submetido a um exame de ultra-som. Ao ser diagnosticada a doença, é realizada a cirurgia de distorção do cordão. “Simultaneamente, o outro testículo é analisado e, caso necessário, também é submetido ao procedimento de fixação cirúrgica, evitando assim futura torção", finaliza.