Ganha força a opção por Corantes Naturais nos alimentos

A exemplo da Europa, movimento por ingredientes mais saudáveis nos alimentos cresce no Brasil, com adesão de consumidores e indústria

A opção por alimentos mais saudáveis é uma tendência em todo o mundo. No Brasil, é visível essa crescente preferência dos consumidores em buscar alternativas naturais para substituir a variedade artificial. Essa maior conscientização e preocupação com o que se come faz com que, a cada dia, cresça a categoria de consumidores que passaram a ler rótulos e embalagens, prestando atenção na origem e conteúdo dos alimentos.

“Fiquei muito mais criteriosa com a alimentação, especialmente depois que meu filho aprendeu a pedir os alimentos”, relata a publicitária Julia Farina, mãe de Francesco, de 3 anos. “Tomo muito cuidado com a alimentação dele. As verduras, na maioria, são orgânicas e tento abolir, por exemplo, os produtos que contenham corantes artificiais, como no caso das gelatinas. Hoje só compro as que informam conter corante natural”, destaca a publicitária.

A indústria alimentícia está atenta a esse movimento, considerando que cada vez mais os consumidores associam produtos com ingredientes naturais à qualidade superior, e dá sinais de adesão aos Corantes Naturais. Algumas categorias de produtos no Brasil já desfrutam dos benefícios desses ingredientes, como por exemplo, recheios de biscoitos, salsichas, iogurtes, sorvetes, bebidas à base de soja, entre outros.

Os corantes naturais têm a finalidade de conferir, intensificar ou padronizar a coloração dos alimentos, já que alguns produtos, durante o processamento industrial, perdem a sua cor natural. Atualmente, os mais consumidos pela indústria alimentícia são Urucum, Páprica, Cúrcuma, Clorofila e Antocianinas. Segundo estimativas, a demanda mundial desses ingredientes cresce, em média, 5% ao ano, contra 2% dos chamados corantes sintéticos.

“O consumidor exige o alimento colorido. Isso porque a cor tem influência direta na sensação de que o produto está saboroso”, declara Paulo Roberto Nogueira Carvalho, pesquisador do ITAL (Instituto de Tecnologia dos Alimentos). Com 25 anos de experiência em pesquisas sobre extração, produção e aplicação de corantes naturais nos alimentos, Paulo Roberto entende que esse movimento por ingredientes mais saudáveis ganha força no Brasil. “Estudos indicam essa mudança de comportamento dos consumidores e a indústria busca atender a essas expectativas”, declara.

Extraídos da natureza, os corantes naturais contribuem para o desenvolvimento sustentável. A cadeia do cultivo desses ingredientes agrega pessoas no plantio, extração e em todo o processo gerando empregos e renda em diversos locais do mundo.

A migração aos corantes naturais é benéfica ao consumidor e pode ser considerada, também, muito benéfica aos fabricantes. “Uma empresa preocupada com a alimentação do seu público sempre será considerada preferida em comparação àquela que mantiver em seu portfólio produtos sem inovação. Os fabricantes estão atentos e cada vez mais interessados em trabalhar com os corantes naturais”, declara Sten Estrup, vice-presidente regional (América Sul e Central) da Chr Hansen.

Referência mundial em corantes naturais para alimentos e bebidas, a Chr Hansen, com sede na Dinamarca, está presente em mais de 30 países. No Brasil, a empresa, localizada na cidade de Valinhos (SP), está posicionada entre os principais fornecedores de ingredientes para a indústria láctea e atende diferentes segmentos da indústria alimentícia, nutrição animal e saúde humana.

Adesão mundial

Na Europa, a preferência crescente dos consumidores por alimentos livres de cores sintéticas An alternative derived from calcium So far producers of panned confectionery products such as chewing gum and chocolate dragées have had no option but to color their products with titanium dioxide (E171 in Europe), a titanium-derived white color produced by synthesis.e uma legislação atuante propiciaram um movimento ainda mais intenso e rápido. O Parlamento e o Conselho Europeu determinaram que, em 2010, as empresas européias que não migrarem para os corantes naturais deverão incluir uma informação visível no rótulo: “Pode ter um efeito colateral nas atividades e atenção em crianças”.

Em países como os Estados Unidos, Japão e Austrália, o movimento pela utilização de corantes naturais nos alimentos também vem ganhando força. No Brasil, algumas entidades e órgãos públicos defendem e apóiam campanhas para uma maior adesão de consumidores e indústria ao movimento em prol de ingredientes naturais, especialmente no que se refere à alimentação infantil.

Exemplos de corantes naturais e suas aplicações:

Vermelho - Urucum
O corante de Urucum é extraído da semente da Bixa Orellana. A semente de Urucum é cultivada na América do Sul e Central, Índia e África. Suas principais aplicações em alimentos são: colorífico ou colorau, queijo, salsicha, balas e confeitos, sorvete, manteiga, biscoito e recheio de biscoito.

Amarelo - Cúrcuma
O corante Cúrcuma é extraído da raiz da Curcuma Longa, que é cultivada em vários países tropicais como a Índia, China, Paquistão, Haiti e Peru. A raiz da Cúrcuma tem sido usada como especiaria por milhares de anos e é um dos principais ingredientes do condimento Curry. Aplicações típicas incluem produtos lácteos, balas e confeitos, sorvetes, produtos de panificação, etc.

Verde - Clorofila
A clorofila é o pigmento verde presente em todas as plantas capazes de realizar a fotossíntese e, como fonte para este corante, temos a alfafa, o espinafre e plantas verdes, em geral. O corante clorofila é aplicado em produtos nos quais se deseja a cor verde, como produtos lácteos, massas, balas e confeitos, recheio de biscoito, etc.

Roxo - Antocianinas
As antocianinas, pigmentos polifenólicos, podem ser encontradas amplamente na natureza. São hidrossolúveis e as fontes mais tradicionais são a uva, frutas vermelhas como framboesa e amora, a cenoura roxa e o repolho roxo. Dependendo da fonte, podem ser vermelho a azul. As principais aplicações das antocianinas são bebidas, preparados de frutas, balas e confeitos, sorvetes, molhos, etc.